Sexta-feira, Março 14

Sword Song


Citei Bernard Cornwell no post passado e lembrei do quarto livro de As Crônicas Saxônicas. O lançamento de A Canção da Espada (Sword Song) está previsto para julho aqui no Brasil. Não deixem de conferir. Cornwell é o crème de la crème do medievalismo.


Pra quem tá por fora, The Saxon Stories é série mais recente do londrino – desconsiderando os romances de Sharpe, que começaram em 1980 e já são mais de 20 obras. O primeiro volume é O Último Reino, seguido por O Cavaleiro da Morte e Os Senhores do Norte. A Canção da Espada vem dar continuidade ao romance, que “pode ou não terminar” de acordo com Cornwell. Ai delícia.


Brisingr!


Terminei de ler Eragon. Devo admitir que há tempos não gostava tanto de um livro. A leitura desenfreada de Harry Potter no final do ano passado (li todos os seis à espera do último) acabou me deixando meio hipnotizado pelo estilo de Rowling. Nada contra e nada a favor – Rowling tem seus aspectos formidáveis, mas é no argumento que ela peca. Já Christopher Paolini, autor de Eragon, não. O rapaz é fantástico. Comecei a ler há menos de um mês. Metade do livro passou em duas tardes curtas de café. O resto foi arrastado entre encontros, estudos e cumprimentos. Pude prestar bastante atenção em certos aspectos que não via há longo tempo, como continuidade, argumento, ritmo e verossimilhança. A carência de densidade em Rowling é diametralmente oposta à dureza realista dos romances épicos de Bernard Cornwell – Paolini fica em uma tênue linha entre os dois.


Eragon conta a história de um garoto que se descobre dono de um dragão e, com todas as responsabilidades que um dragão pode implicar, deve escolher entre acatar as ordens de um rei tirano e ditador ou juntar-se aos rebeldes e lutar contra as forças opressoras. Ladeado por vários companheiros – entre eles, seu mestre e treinador Brom, sua amiga bruxa Angela, a elfa nobre Arya, seu amigo misterioso Murtagh e, obviamente, seu dragão Saphira (uma fêmea, por sinal) – Eragon segue sua jornada rumo aos lugares mais fantásticos do reino de Alagaësia para descobrir a verdade sobre seus inimigos, seus amigos e sobre si mesmo. Enfrentando monstros terríveis e o clima impetuoso, o garoto deve provar seu valor como Cavaleiro de Dragão, aprendendo a arte da espada e da magia ao mesmo tempo.


Eragon faz parte de uma coleção chamada Ciclo da Herança (Inheritance Cycle), no Brasil lançada pela Editora Rocco. Lançado em 2003, teve sua continuação, Eldest, publicada em 2006. Já virou filme e jogo também. Em minhas andanças pela internet acabei descobrindo que o terceiro livro da série já tem nome e data de publicação – Brisingr será lançado dia 20 de setembro (mas já está no pre-order). E já há a certeza de um quarto e último livro encerrando a coleção. Paolini diz que assim como começou o segundo livro matando um personagem importante, terminará o terceiro dando fim a outro personagem mais importante ainda.


Eragon, Eldest, Brisingr... Christopher Paolini... Eu recomendo.


Quinta-feira, Março 6

Poção de Mana


Eu sei que muitos já devem conhecer, afinal não é coisa muito nova. Mas eu simplesmente gamei na garrafinha quando a vi. Muito genial. É de se pensar como não pensaram nisso antes. Mas é prova de como o RPG tem influenciado a cultura pop nos últimos anos. Bom, estamos atravessando o início do desdobramento social disso tudo, mas poder vislumbrar algo assim é sempre prazeroso.


Pra quem não tem idéia do que estou falando, fique tranquilo, explicarei. Acontece que dois malucos americanos resolveram inventar uma poção de mana. O nome da criança é Mana Energy Potion e, na verdade, é um energético à base de cafeína, sem adoçantes (mas com um monte de “vitaminas”) e um gosto levemente cítrico. A brincadeira custa 27 dólares a caixa com seis, e chega a 90 dólares o engradado com quatro caixas. Algumas críticas que li diziam que a bebida tem gosto fraco e sem graça, mas isso fica por conta de cada um.


E caso você esteja se perguntando aonde achei essa informação, dá uma olhada nesse link. É um post do fantástico Geekologie. E, se alguém tiver interesse, pode acessar o site da poção. Na verdade eu recomendo olhar o site mesmo quem não vai comprá-la. O trabalho dos caras foi impecável; o site é lindo!


E o que a Mana Energy Potion oferece? Bom, pra começar ela te dá +160 de mana (!). Ainda concede de cinco a oito horas de disposição tranquila, sem agitação (muito comum em energéticos). Pra terem uma idéia da pancada que é tomar uma Poção de Mana, ela equivale a dois Red Bulls. Ou seja, é beber e descer a lenha em orc a noite inteira.


Quarta-feira, Março 5

Luto ~ Gary Gygax

Gostaria de pedir a todos os presentes um minuto de silêncio em respeito à figura que essa manhã nos deixou. Gary Gygax ainda não tinha completado seus 70 anos, mas em seu curto período de vida conseguiu atingir o que grandes gênios não atingiram.


Para aqueles que não conhecem esse nome, fiquem sabendo que Gygax criou, em parceria com Dave Arneson, o primeiro RPG da história, Dungeons & Dragons - o famoso D&D. Muitos criticam e tantos outros desdizem, mas o RPG é a marca de toda uma geração. Transcendeu o status de hobby, passando a exercer influência direta sobre muitos aspectos da sociedade atual. Toda uma gama de novos RPGs, jogos de tabuleiro, livros de fantasia medieval (entre outros temas), bandas, filmes e obras de arte foram, e ainda são, inspiradas no trabalho de Gygax.


Homens como J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis), H. P. Lovecraft (Cthulhu), R. Howard (Conan), e muitos outros, configuraram um novo nicho na literatura e no imaginário. Gary Gygax foi apenas um de tantos que usaram dessa influência para dar continuidade ao surrealismo épico. Mas Gygax foi ainda mais longe, ao contemplar uma nova esquemática para o jogo. Ao pensar em D&D, o escritor reinventou a contação de histórias, abriu um novo canal no campo da comunicação e expandiu o conceito do lúdico.


Muito se deve ao homem que na manhã de quatro de março faleceu devido a um aneurisma da aorta abdominal. Os rpgistas de todo o mundo se uniram em um grande luto, homenagem singela e sincera ao pai do roleplay. Romancistas, engenheiros de jogos, desenhistas, blogueiros, narradores e jogadores, todos desejam cristalizar a imagem de um herói. E a fatalidade para os grandes guerreiros sempre foi a mais estapafúrdia. Hércules caiu pelas mãos de sua amada. Áquiles caiu pela mão de seu pai, que cobriu seu tornozelo, tornando-o seu único ponto fraco. Gygax tinha um coração imenso, mas fraco. Foi a debilidade do corpo que o venceu, após tantos anos de batalha. Caiu com glória, como um verdadeiro herói. Partiu, deixando uma campanha por narrar, mas suas histórias serão eternas nas mentes de seus fãs.



I would like the world to remember me as the guy who really enjoyed playing games and sharing his knowledge and his fun pastimes with everybody else.


Ernest Gary Gygax ... 1938 ~ 2008 ... Rest in Peace